Osvaldo Amado em entrevista a BigLar “Autênticos de Portugal”

– AUTÊNTICOS DE PORTUGAL –
PRODUZIDOS A PARTIR DE UVAS NATIVAS COMO TOURIGA NACIONAL E ALVARINHO, OS VINHOS PORTUGUESES GARANTEM SABOR E AUTENTICIDADE

Características como autenticidade e identidade são elogios valorosos quando relacionados aos vinhos.

E muitas vezes são essas as qualidades que transbordam em bebidas produzidas a partir das castas de uva autóctones, variedades nativas de uma determinada região. Assim, essas uvas “regionais” ajudam a preservar a personalidade da vinícola local ao invés de depender apenas das castas internacionais mais famosas, como Cabernet Sauvignon, Merlot e Chardonnay.

Um dos países de maior relevância nessa seara das uvas autóctones é Portugal. Especialistas estimam que no país existam mais de 250 castas, espalhadas em suas 14 regiões vitivinícolas. Entre as castas lusitanas mais famosas estão as tintas Touriga Nacional, Baga, Castelão e Trincadeira, e as brancas Arinto, Encruzado, Loureiro e Alvarinho.
“Todas as uvas podem originar vinhos únicos e singulares. Portugal tem cerca de 252 variedades autóctones, e essa riqueza é ainda mais especial porque cada casta expressa de forma autêntica o terroir onde está inserida. É isso que buscamos: vinhos que mostrem o caráter de cada proveniência”, explica Osvaldo Amado, um dos mais respeitados e premiados enólogos da Europa, e proprietário da vinícola Casa dos Amados, no coração da região vitivinícola da Bairrada.

IDENTIDADE NACIONAL

Amado conta que tem dado bastante atenção aos vinhos produzidos a partir de uma única casta de uva, os monovarietais, mesmo sendo uma pequena parte da produção portuguesa – apenas 5%, enquanto 95% são blends. Segundo ele, faz sentido mostrar que Portugal consegue produzir vinhos extraordinários a partir de cada uma dessas castas. “Quando apresentamos um vinho de uma só variedade, ele precisa ser verdadeiramente representativo da região de onde vem.
Se é Baga (tinta autóctone da Bairrada), deve mostrar aromas intensos e a estrutura que lhe é típica. Se é Encruzado (branca da região do Dão), deve expressar todo o seu floral exótico. Se é um Loureiro (branca da região dos Vinhos Verdes), precisa ter frescor, acidez vibrante e longevidade. O mesmo vale para tantas outras castas”, pontua Amado.
Essa identidade particular de cada uma destas uvas vai ao encontro com a exclusividade do terroir, ressalta o enólogo lusitano. “Um vinho do Alentejo não é igual a um do Douro, que por sua vez é muito diferente de um da Bairrada ou da Beira Interior. Essa diversidade é o que torna Portugal tão especial. Isso acontece em todo o mundo, mas em Portugal essa riqueza está concentrada em um território pequeno, o que acentua ainda mais a singularidade dos nossos vinhos”.

REGIÕES QUE SÃO REFERÊNCIA

Algumas regiões de Portugal se consolidam como referência para vinhos de alta qualidade. Osvaldo Amado destaca as uvas Baga, Arinto, Touriga Nacional e Encruzado como sinônimos da oportunidade ao setor vinícola português de mostrar ao mundo aquilo que é único e diferente. “Naturalmente, regiões como a Bairrada e o Dão se destacam pela originalidade e pela forte identidade dos seus vinhos. A Baga, o Arinto e o Encruzado, por exemplo, são castas que expressam de forma muito autêntica o caráter dessas regiões e revelam porque são consideradas grandes uvas de Portugal e do mundo”, explica.
Segundo o enólogo, as uvas mais cultivadas em Portugal nem sempre são as mais conhecidas internacionalmente. Entre os brancos, por exemplo, há castas bastante presentes como a Maria Gomes, Fernão Pires e o Sercial, além das prestigiadas Alvarinho e Encruzado. “O Alvarinho, sobretudo no Minho, é procurado pela sua textura, frescor, mineralidade e longevidade. Já o Encruzado é uma casta extraordinária pela sua finura, elegância e enorme versatilidade gastronômica. Entre os tintos, não há dúvida de que a Touriga Nacional é a grande estrela. É uma uva que se adapta bem a praticamente todas as regiões do país, ao contrário da Baga, por exemplo, que é muito mais restrita ao seu berço na Bairrada e exige condições muito específicas para atingir a excelência”, diz.

JORNADA DE SABOR

Para quem quer iniciar essa jornada pelos vinhos de Portugal, Osvaldo Amado aconselha começar por vinhos mais leves, frescos e fáceis de beber, aqueles que transmitem logo de início o prazer do vinho, sem exigir grande experiência do consumidor. Com o tempo, naturalmente, a curiosidade vai levar a vinhos mais complexos, que exigem mais atenção e oferecem uma experiência mais profunda. “Outro ponto essencial é harmonizar os vinhos com a gastronomia. Portugal tem uma cozinha riquíssima e cada prato pode realçar de forma diferente as características de uma casta ou de uma região. Essa combinação entre vinho e comida é uma das melhores formas de compreender, na prática, a diversidade e a riqueza das nossas uvas”, completa.